A CORPORATIVA
Oslo,
Noruega
2010
Uma manhã
fria e ventosa de outono, as folhas cainham gradativamente como o de costume. Naquela
mesma manhã, ali em Oslo, Mjla começaria no seu primeiro emprego que conseguira
logo após de ter terminado o mestrado de biologia na Østfold Oslo Universty. Estava
enérgica e mal tinha conseguido dormir a
noite anterior, ela adquiriu uma oportunidade para trabalhar na ABB Enterprise
(Archi.Biø.Bald Enterprise) uma das maiores empresas norueguesas, e a maior no
estudo avançado de biologia marinha. Após tantas tentativas ela finalmente vai
seguir a carreira que sempre desejou.
Mjla era
órfã, tinha sido abandonada em um lar adotivo quando tinha um ano de idade e
nunca mais soube notícias da sua mãe, que segundo a velha diretora do orfanato,
a teria deixado lá. Desde então, a vida não é tem sido tão fácil para quem não
tem ninguém para recorrer, tudo isso foi somado ao longo de sua vida na força
de vontade de alcançar seus sonhos, e olha só, ela conseguiu. Mjla tinha por
volta de vinte e nove anos, de aparência,
ela apresenta as seguintes: uma pele de um tom branco porém alaranjado (bronzeamento
artificial barato), e tinha cabelos loiros escuro em um corte chanel. Gostava
de vestir roupas de cores pasteis, que combinavam com seus olhos verdes e um
pescoço, de certa forma, maior do de costume. Mas nada a nível “anormal”.
Um
passado difícil, porém o pensamento de Mjla somente focava no presente, e que
presente. Já tinha pegado o metrô e estava a caminho do prédio da ABB, onde
trabalharia. Chegando lá, ela seria levado a um tour pela empresa para conhecer
melhor suas funções e como tudo funcionava. Logo na entrada, o diretor de RH, Thierry
Elói, estava a sua espera, pois ele seria responsável por inseri-la. Thierry
era um homem de meia idade, aparentava ter por volta de 40 a 50 anos, e tinha
uma pele pálida, cabelos pretos e olhos de uma tonalidade cinza.
— Você
deve ser a Mjla, sim?
— Sim,
sou eu mesma!
— Muito
prazer, me chamo Thierry e hoje estou responsável por lhe apresentar o prédio,
vamos?
— Claro.
Eles
passaram pelo saguão de entrada, a caminho do elevador. O edifício que era sede
da ABB Enterprise tinha 26 andares e era todo envidraçado por fora, assim, dava
para se ver bem pelos corredores a vista da cidade e de outros edifícios
vizinhos. Mjla acabara de chegar no piso 17.
— Bom
Mjla — começou ele a dizer enquanto caminhavam — como você já deve saber, a ABB
é uma das maiores empresas da Noruega, sendo a maior no ramo de estudos
avançados em biologia, em específico a marinha, a qual foi contratada para
exercer suas funções.
— Sim, e...
— e antes que Mjla pudesse terminar sua frase foi interrompida.
—
Contudo, também deve saber que como uma empresa de biologia marinha temos
diversos setores menores localizadas nas regiões litorâneas do país, aliás, uma
corporativa de biologia não teria como atuar tão longe do mar! — disse ele com
um certo tom de sarcasmo.
—
Precisamente — rebateu ela, também com sarcasmo, e dessa vez se posicionando a
altura — tanto que fui solicitada para trabalhar na área de pesquisa em um
desses setores de estudo.
— Hm,
pode ter certeza — ele respondeu, enquanto entravam em uma sala circular, que
pelo visto era o escritório de Thierry. — Por enquanto você estará em fase de
treinamento no nosso laboratório localizado em Narvik, mas confiamos muito na
sua capacidade como profissional , já que a contratamos sem se quer solicitar
um entrevista – finalizou, enquanto sentava na cadeira e a convidava também –
Café? — ofereceu ele a Mjla.
— Sim,
obrigada – aceitou ela — eu fico
lisonjeada por depositarem toda essa fé em mim, esse é meu primeiro emprego
atuando na área em que resolvi seguir, e não precisei ser entrevistada... Mas
Narvik, pensava que eu ia ficar em Oslo, aqui!
— Ah não
se preocupe, com certeza você não deve ter lido as letras miúdas – disse ele
com um leve sorriso no rosto — irei lhe fazer algumas perguntas agora.
Mjla
ficou em alerta as perguntas, mal deu tempo de assimilar tudo e Thierry começou
o “questionário”.
— Bom, Mjla...
Por quais motivos você decidiu seguir carreira de bióloga marinha, e quais suas
ambições futuras?
Uma
pergunta tão simples, mas que Mjla não saiba ao certo como formulara-la, então
resolveu falar a verdade que a cobria.
— É, não
sei ao certo, sempre gostei desde de criança, quando eu morava no orfanato,
eu... é, tinha um peixe e sempre me afeiçoei a tudo aquilo que vinha do mar.
Tanto que rs – continuou ela com um tom de humor – minha princesa favorita
sempre foi a Ariel, e foi algo que eu me apaguei muito para superar o fato de
não ter tido uma família.
— Interessante
– ele olhou para ela com um olhar pensativo.
O
telefone que ficava ao lado esquerdo da
sua mesa começa a tocar.
— Um
momento – ele atendeu — ... Aham...sim... já recebi sim...entendido, já estou
a caminho — desligou o telefone logo em seguida. — Mjla, acredito que
terminamos por hoje, seja bem-vinda a ABBC e você começara nessa sexta, espero
que esteja pronta para se mudar para Narvik.
— Quer
dizer que por hoje é somente isso? E o resto da entrevista? – Disse ela já
sendo convidada a sair da sala.
— Bom, de
qualquer forma você já está contratada, certo?
— ironia por parte dele, esperando que ela concordasse com a fase de
treinamento em Narvik que não tinha ficado sabendo.
—É...
sim, com toda certeza — disse ela enquanto se levantava e o cumprimentava para
deixar o local, deu a atender que ela aceitou a proposta... e foi exatamente
isso que aconteceu.
Mjla já estava cruzando a porta quando Thierry
falou
— E Mjla,
você ainda vai ter que me responder qual é a sua maior ambição.
Ela
escutou, mas não se virou para responder, nem a própria sabia ainda o que o
futuro lhe reservava. Pelo visto, ela só compareceu naquele dia para dar uma
palavra e depois dizer “tchau” “tchau”. Se já iria ser mandada para outro setor
porquê teria que passar para conhecer o prédio principal? Bom, isso seria o que
alguém normalmente se perguntaria, porém Mjla estava já muito focada em sua
viagem. Agora sim, sua vida teria um novo rumo, a partir da próxima sexta-feira.
De certo modo, ela não sabia é que mais alguém estava vigiando sua breve
passagem pela empresa.

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